O Presidente de alguns


Como todos sabemos, Fernando Gomes, já alto membro dos quadros da UEFA na condição de Vice-Presidente, foi muito recentemente eleito como representante da UEFA na FIFA. Um cargo alto na liderança do futebol mundial, o que deveria, à partida, encher de orgulho (quase tanto como a nomeação de Domingos Soares de Oliveira encheu alguns paineleiros deste país) todos os amantes de futebol em Portugal. 

A eleição de Fernando Gomes deveria, acima de tudo, orgulhar os adeptos e simpatizantes do Futebol Clube do Porto pelo tempo que este passou de Dragão ao peito enquanto atleta e dirigente desportivo na modalidade de basquetebol. 

Em 2010, Fernando Gomes decide concorrer e é eleito à presidência da LPFP tornando-se também, por inerência, vice-presidente da FPF. Em 2011, renuncia ao cargo para se tornar presidente da FPF, tendo clubes como o Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal recusado dar o seu apoio à sua candidatura. Em 2015 assumiu a presidência do comité de competições de clubes da UEFA e neste ano de 2017 foi eleito como Vice-Presidente da UEFA. 

Escolhemos que hoje, seria o dia ideal para dar a conhecer um pouco sobre a vida profissional deste senhor, devido à sua já anteriormente referida nomeação como representante da UEFA na FIFA, mas também devido à entrevista (esperamos nós que tenha sido dada por ele e não por um qualquer ghost writer) que foi dada hoje onde fala, claramente com pouco conhecimento, do que se passa nesta Liga Salazar. 

Como todos sabemos, durante os últimos meses, o diretor de comunicação do Futebol clube do Porto tem, semanalmente, divulgado e-mails que dão uma luz sobre o estado atual do futebol português. No meio dos MUITOS e-mails que já foram divulgados, onde ficam inequivocamente comprovadas várias ilegalidades cometidas por altos dirigentes ligados ao SLB, ao CA, ao CD, a observadores, delegados e etc, descobrimos também que o Sport Lisboa e Benfica monitorizava e tinha acesso a SMS da vida privada de Fernando Gomes. 

Quando esse e-mail se tornou de conhecimento publico, Fernando Gomes remeteu-se ao silêncio sendo que, uma fonte oficial da FPF disse a entrevistadores que, “Sempre que tem conhecimento de qualquer informação ou facto que possa indiciar irregularidades ou práticas criminais, o presidente da FPF encaminhou esses dados para as entidades policiais, de investigação ou para os órgãos de justiça desportiva.” 

Hoje, Fernando Gomes, decide quebrar o silêncio. Infelizmente para ele e para todos os amantes deste desporto em Portugal, fê-lo de uma forma completamente irrisória, naquilo que não passa de uma tentativa falhada de apaziguar os ânimos. Fernando Gomes, mostrando que, claramente, não sabe (ou não quer saber) do que se passa no nosso futebol, dá uma entrevista cheia de clichés baratos e, ainda que de forma indireta, trata de tentar com que os adeptos e as instituições que se sentem vitimizadas por tudo o que se tem passado deixem de lutar pelos direito que têm! 

Fernando Gomes, durante a sua entrevista debita umas frases muito engraçadas e que, a quem não esteja atento, soam sempre muito bem. Reparem: 

 1.“O clima que se vive no futebol profissional português é inimigo do crescimento. É também um péssimo exemplo para os mais jovens e um fenómeno que contribui para afastar o adepto, dos estádios e mesmo da modalidade.” 

2.“O constante tom de crítica em relação à arbitragem é inaceitável e impróprio de um país civilizado e com espírito desportivo. Estas críticas, que muitas vezes são inspiradas em dirigentes com as mais altas responsabilidades, potenciam o ódio e a violência. São, quase sempre, uma forma de tentar esconder insucessos próprios, além de constituírem atos de cobardia.” 

3.“O clima de ódio tem tido reflexo também entre os adeptos. Basta olhar semanalmente para o registo disciplinar nas competições profissionais e para as notícias que relatam incidentes — alguns infelizmente com gravidade — entre adeptos de diferentes clubes. É com profundo lamento que o escrevo: existem sinais de alarme no futebol português.” 

Realmente, o Sr. Fernando Gomes teve um discurso muito bonito, cheio de ideias disse tudo o que os adeptos de futebol gostam de ouvir. Achamos é que se esqueceu de mencionar algumas coisas.  

Tem toda a razão quando diz que este clima não é propício a um crescimento natural do futebol português e também quando refere que não é um bom exemplo para os jovens, esquece-se é de referir que ver semana após semana o Samaris a tratar o relvado como o Connor McGregor trata um ringue do UFC, o Eliseu, o André Almeida, Pizzi, Luisão e companhia a entrarem sobre jogadores adversários com toda o “perdão” que um padre pode oferecer, constituem um exemplo muito pior do que a leitura duns e-mails a uma qualquer Terça-Feira. 

Tem toda a razão quando diz que num país civilizado não se podem admitir constantes críticas às equipas de arbitragem. Sabe o que é que num país civilizado também não se admite? Tráfico de influências, ajudas a troco de carreiras, claques ilegais que semanalmente causam o pânico e que assassinam seres humanos de outros clubes sem que nada lhes aconteça, padres ordenados a dedo, clubes que seguem de perto a vida privada (inclusive a sua, mas esse clube está muito a Sul, não é?…) de árbitros, dirigentes e afins de forma a conseguir vantagens no campo e apoios fora dele, etc…. Podíamos passar aqui o resto do dia a enumerar coisas que num país civilizado não deveriam acontecer e sobre as quais o Sr. se remete ao absoluto silêncio. Se calhar, tem alguma coisa a temer se falar… 

Tem razão quando fala sobre os registos de incidentes que têm acontecido na primeira liga, erra é quando quer dar a entender que isso é um mal que toca a todos. Certamente, quando fala de clima de ódio entre adeptos, deve-se estar a referir aos desacatos cometidos pelo grupo de adeptos organizados do SL Benfica em Vila do Conde onde várias pessoas tiveram que ser hospitalizadas, nos dois adeptos que já faleceram às mãos desse mesmo grupo de adeptos organizados (caso único em Portugal), dos desacatos causados pelos adeptos do Benfica na Supertaça Cândido de Oliveira, na destruição cobarde da casa de Famalicão do Futebol clube do Porto, nas agressões a jornalistas da CMTV ou, no episódio mais recente, na espera que o grupo (ilegal) organizado de adeptos do SL Benfica fez a Fernando Madureira, nos estúdios da TVI24 após uma entrevista, onde estavam carros com adeptos desse clube munidos de cabos elétricos e machados, prontos e decididos a levar a cabo mais uma tragédia. 

Sr. Fernando Gomes, o clima que está instalado de momento na nossa liga tem como princípio a luta pelos nossos direitos. Nós, adeptos e simpatizantes de QUALQUER clube, temos direito a ver jogos de futebol em que ambas as equipas partam em pé de igualdade, sem que o campo esteja inclinado graças aos malabarismos de um qualquer árbitro em nome do SL Benfica. 

Aguardamos ansiosamente pela sua entrevista onde fala e, pelo menos tenta, arranjar uma qualquer solução para os problemas que assolam o desporto em Portugal. Isto, claro, se o 1º Ministro deixar…